Espaço Escuta
Escutar para cuidar

A mãe aconchega seu bebê no colo depois que ele recebe os exercícios de estimulação. Em uma sala, uma menina é alegremente recebida por três profissionais de saúde. Em outro ambiente acolhedor, o jovem casal conta a sua história. Tudo feito com cuidado para que a criança ao apresentar um distúrbio global de desenvolvimento seja tratada o mais cedo possível.

Esta é a rotina do Centro Interdisciplinar de Diagnóstico e Tratamento Precoce dos Distúrbios Globais do Desenvolvimento - mais conhecido como Espaço Escuta – em Londrina (PR) que tem o propósito de avaliar, diagnosticar e tratar gratuitamente crianças de zero a 12 anos, que apresentem distúrbios globais de desenvolvimento, bem como seus familiares próximos e gestantes de risco (gravidez na adolescência, cardiopatia, má formação congênita, fissura palatar, gestação gemelar entre outros). O Espaço Escuta beneficia mensalmente 100 crianças, realizando cerca de 2 mil atendimentos que envolvem ainda os pais e mães. Entre estes, podem ainda ser citados: bebês com complicações no parto ou prematuros, crianças inquietas ou que não brincam, com dificuldades de fala, visuais ou motoras, com distúrbio de sono ou alimentar; ou ainda com sinais de riscos de transtornos psíquicos, como autismo e neurose grave.

Nestes nove anos de existência, o Espaço Escuta tem se diferenciado pelo atendimento individual, com a intervenção precoce com bebês, trabalhando a relação mãe-bebê, com o apoio de profissionais das áreas de psicologia, psicopedagogia, pedagogia, fonoaudiologia, fisioterapia, pediatria, neuropediatria, terapia ocupacional e assistência social. Estes profissionais compõem a equipe transdisciplinar especializada e possuem um alinhamento teórico em psicanálise, ministrado pela própria instituição.

A iniciativa busca identificar e intervir precocemente nos fatores de risco para o desenvolvimento infantil. O encaminhamento ao Espaço Escuta é feito pela rede municipal de saúde ou de educação, por hospitais e por profissionais de saúde. Dois integrantes da equipe transdiciplinar fazem a avaliação inicial em no mínimo quatro atendimentos de uma hora, incluindo a família e a criança. A princípio, eles escutam a narrativa dos pais da criança, que é conduzida para brincadeiras e tem suas reações observadas. O relacionamento mãe-bebê é analisado em sessões que ainda contemplam a escuta da história entre mãe e filho.

Após esta etapa, o caso é apresentado em uma reunião com toda a equipe transdisciplinar em busca do melhor caminho para o tratamento. Também neste momento, os profissionais decidem o direcionamento do caso para outra instituição ou a continuidade no Espaço Escuta. Se a instituição optar por prosseguir o trabalho é elaborado um plano terapêutico, com a definição dos profissionais e serviços adequados.

Durante o tratamento, a criança pode ser recebida individualmente ou em grupo,  para a socialização. Com o foco na sua inserção social, o Espaço Escuta promove também visitas às residências assim como às escolas, visando reforçar a comunicação entre os profissionais da saúde e da educação.

Vale ressaltar que a equipe transdisciplinar acompanha a evolução de todos os casos nas reuniões clínicas, ocasião em que há uma grande troca de experiências. Estes encontros são fundamentais para a evolução dos tratamentos e para aperfeiçoamento dos profissionais da instituição. Mas a disseminação de conhecimento pelo Espaço Escuta transcende estas oportunidades. Em Londrina, a instituição é reconhecida por capacitar e formar profissionais das áreas de saúde, da educação e social, para que possam ampliar suas percepções dos distúrbios globais de desenvolvimento.

  O pediatra Joubert de Carvalho Marcondes, também especialista em saúde mental, e na instituição desde 2001, assegura que o Espaço Escuta está no caminho certo: Aqui, recebi crianças com dificuldades extremas de comunicação aos seis meses de idade e hoje, com sete anos, ainda assistidas, elas estão bem desenvolvidas. Vemos o ser humano em constante desenvolvimento, inserido em uma família, que também está evoluindo”.

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