
A função do desejo dos pais e da escuta psicanalítica na ativação da
plasticidade neuronal em um bebê com encefalopatia
Maribél de Salles de Mello, maribelmelo@hotmail.com
1Leda Mariza Fischer Bernardino, ledber@terra.com.br
2Pretende-se relatar o caso de um bebê que nasceu prematuro de 33 semanas, apresentando, ao nascer, parada respiratória e anoxia grave, tendo como conseqüências uma encefalopatia e a presença de crises convulsivas. Este bebê e seus pais foram atendidos em estimulação precoce segundo a abordagem psicanalítica. Este trabalho tem como eixo primordial o desejo dos pais como motor do desenvolvimento do filho (Jerusalinsky, A., 1989). O psicanalista promove um espaço de trocas entre pais e bebê no qual a suposição de sujeito, o estabelecimento da demanda, a alternância presença/ausência e a função paterna (Jerusalinsky, J., 2002) são os elementos buscados para que o processo de constituição do sujeito se instale e seu curso organize o desenvolvimento das funções corporais e instrumentais do bebê (Bernardino, 2006). O caso apresentou um desenvolvimento espetacular, rumo à normalidade do bebê no primeiro ano de vida, o que pôde ser constatado pelos exames de neuroimagem.
Em contraste com o que geralmente ocorre nestes casos – seqüelas como quadriplegia ou hemiparesia, pneumonias de repetição e necessidade de traqueostomia ou gastrostomia para se alimentarem -, este bebê teve uma involução de sua lesão cerebral.
Pretendemos demonstrar como a escuta de pais e sua convocação ao papel de "estimuladores essenciais" de seu bebê, com o suporte do psicanalista, podem promover a função do desejo parental ao primeiro plano, dando lugar às incríveis capacidades que o bebê tem a sua disposição com a plasticidade neuronal.
Neste sentido, a função simbólica aparece em sua primazia, sendo a aparelhagem biológica sensível aos significantes, ao ponto de modificar uma estrutura lesionada.
PALAVRAS-CHAVE: estimulação precoce – clínica psicanalítica – encefalopatia – desejo.
REFERÊNCIAS:
BERNARDINO, L.M.F. (2006). O que a psicanálise pode ensinar sobre a criança, sujeito em constituição. São Paulo: Escuta.
JERUSALINSKY, A. (1989). Psicanálise e desenvolvimento infantil. Porto Alegre: Artes Médicas.
JERUSALINSKY, J. (2002). Enquanto o futuro não vem. Salvador, BA: Ágalma.
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